Entenda um pouco mais sobre o assunto e conheça os prejuízos causados pelo uso indevido da droga
Por Edwin Luz (Foguete) *
Ele está entre as drogas mais polêmicas do mundo; não é a cocaína, heroína, nem a meta-anfetamina cristal, falo do esteroide anabolizante. Eles são muito eficazes, mas têm um preço. Milhões já usaram anabolizantes, até mesmo aqueles de quem menos suspeitamos. Uma droga muito criticada, mas também muito pouco compreendida (devido à falta de estudos mais aprofundados).
Na Volta da França, os destaques geralmente aparecem no início da prova, mas em 2006 o destaque apareceu três dias depois. O americano Floid Lends teve o título caçado por ser detectada em sua urina uma concentração alta de testosterona (hormônio masculino). Porém, no início desta mesma prova, vários atletas tinham sido desclassificados pelo mesmo motivo, inclusive dois favoritos ao título, todos haviam usado esteroide.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu, na Volta da França, comumente conhecida com Le Tur de France, em 1998, o número de casos de uso de anabolizantes foi tão grande que esta prova foi chamada de “A volta da vergonha”.
Um século atrás, os ciclistas usavam álcool, cocaína, cloroforme e até mesmo as chamadas pomadas para cavalo, tudo para melhorar o desempenho. Depois vieram as anfetaminas, o doping sanguíneo e esteroides.
O uso de esteroides anabolizantes é proibido no Brasil e em vários Países. Mesmo assim, milhares de pessoas admitem usar. Mas a verdadeira quantidade de usuários é desconhecida.
A promessa de resultados rápidos vem estimulando no Brasil o consumo de anabolizantes, mas por trás dos benefícios aparentes essas substâncias escondem riscos que podem “detonar” seu corpo. Mais que isso, pode até matar.
No passado, quem utilizava esteroides anabolizantes eram atletas de alto nível, como fisiculturistas. Hoje em dia, até mesmo adolescentes que nem saíram da puberdade já usam indiscriminadamente o produto, sem o conhecimento devido.
Uma pesquisa realizada pela universidade federal da Bahia realizou o maior estudo feito no País para quantificar esse consumo. Foram 1.200 questionários, com frequentadores de academias, de 15 a 35 anos, de todas as classes sociais e bairros da região metropolitana de Salvador. A pesquisa foi publicada em 2008 e relatou que “15% já tinham usado anabolizantes pelo menos uma vez na vida.
Entre os homens, esse número cresce para 21%”, revela o antropólogo Jorge Alberto Iriart, um dos autores. Alarmante: de cada cinco homens malhando em academias, pelo menos um já usou a droga.
COMO ELA AGE NO CORPO
O princípio de todas as substâncias que você conhece como anabolizante ou “bomba” é imitar a ação da testosterona, o famoso hormônio masculino. Ele é um hormônio que produzimos naturalmente, nos testículos (ou ovários, nas mulheres) e nas glândulas suprarrenais, classificado como esteroide anabolizante androgênico. Esteroide porque deriva do colesterol, anabolizante porque aumenta a atividade celular, e androgênico porque acentua características masculinas, como a força e a agressividade.
Veja abaixo alguns pontos que merecem ser destacados.
1- Crescimento do músculo. Os principais componentes de nossos músculos são as cadeias fibrosas de proteínas. Quando eles trabalham, essas proteínas se quebram. No repouso, o corpo trabalha para reconstruí-las. A cada ciclo de “quebra e reforma” do treinamento, o diâmetro das fibras aumenta e, com elas, o volume geral do músculo também cresce.
2- Anabolismo natural. A fabricação de proteínas no músculo é naturalmente estimulada pela testosterona, quando ela se encaixa em receptores androgênicos na membrana da célula muscular. Essa ligação é específica, como uma chave em sua fechadura, e emite um sinal para a célula produzir mais proteína, acelerando a fabricação de músculo.
3- Anabolismo artificial. Os anabolizantes sintéticos são substâncias parecidas com a testosterona, o suficiente para se encaixarem na fechadura da testosterona e dispararem o mesmo processo nas células. O efeito é o mesmo. Mas o tempo com que esse processo ocorre é bem mais rápido.
4- Desequilíbrio hormonal. Quando se injeta um hormônio anabolizante no corpo, o organismo percebe o excedente e diminui a produção interna. Sem trabalhar, as glândulas do testículo atrofiam e diminuem, levando à esterilidade. Dependendo do hormônio usado, o excesso também pode gerar estrogênio, o hormônio feminino, e aumentar o tamanho das mamas.
5- Limpeza cara. Os hormônios esteroides, naturais ou sintéticos, são metabolizados pelo fígado para serem eliminados do organismo. As doses extras de hormônio sobrecarregam o fígado e aumentam a incidência de problemas hepáticos, inclusive de câncer.
PRINCIPAIS DANOS À SAÚDE
Inibição da produção de testosteronas, problemas cardíacos, esterilidade, problemas hepáticos (com aparecimento de tumores), colesterol alto, ginecomastia, acne, agressividade, calvície, problemas no crescimento (para adolescentes), masculinização (para as mulheres).
* É formado em Educação Física e professor da Top Fitness